Qual a melhor guitarra do mundo?

Neste exato momento se alguém me fizesse essa pergunta, eu responderia o seguinte: “Uma Memphis MG200, feita pela Tagima de 2008”. E com certeza as pessoas me achariam doido por dar tal resposta.
Me questionariam se não conheço Fender ou Gibson. Se nunca ouvi falar de ESP ou Jackson. E esse tipo de guitarrista você não deve ser. Refém de marcas. Fã incondicional de uma empresa.

E você vai se perguntar “Porque não devo?”.

A resposta é mais simples do que você talvez possa imaginar. Porque toda guitarra é a melhor do mundo em seu determinado momento de existência na vida de um guitarrista. Este é o contexto que estas “ferramentas” têm na vida desses instrumentistas.

Imagine o seguinte, você está fazendo um show com seu modelo signature em uma casa de shows lotada. Na música antes do meu momento sozinho no palco, onde as luzes vão se apagar e você vai solar sem parar, sua guitarra deu problema e você tem de apelar para aquela guitarra mais ou menos do guitarrista da banda de abertura. Isso porque o tempo que seu técnico vai ter para arrumar o seu instrumento é considerável e o show não pode parar.
Você então aceita e parte para seu momento de destaque com aquela guitarra sem graça e dá seu melhor.  As pessoas vão à loucura com seu desempenho, seu técnico traz sua guitarra regulada novamente e o show continua em seu ritmo normal. Outra grande apresentação.

 

Tagima MG-230

 

Percebeu o que eu quis dizer?

Muitas vezes, o que nós podemos ter ou podem nos proporcionar, não é exatamente aquilo que acreditamos merecer.  É o melhor que conseguimos para aquele momento de nossas vidas e ele não vai durar para sempre. Vai chegar o dia em que você vai conseguir algo melhor e melhor, assim suscetivelmente em sua vida como músico. Cada instrumento vai marcar uma fase da sua evolução. Desde quando você começou até quando você enlouquece pessoas com um power chord qualquer.

Outras vezes, tais objetos significam mais sentimentalmente do que seu valor monetário. A guitarra que mencionei no início deste texto foi a primeira guitarra que tive. Era a que meu pai pode me proporcionar. E eu fiquei incrivelmente feliz com ela. Não ligava para o que diziam dela, pois eu sabia o que ela significava na minha vida, as pessoas não. Apenas a julgavam por sua aparência e preço. Depois que arrumei um emprego, pude comprar outro instrumento de melhor acabamento e composição, mas isso não significou que eu ia me desapegar da que ganhei quando comecei. Eu a melhorei, investi em peças melhores, a tornei ainda mais especial. Hoje ela tem ainda mais valor para mim do que quando a ganhei.
Isso se deve a valorizarmos quem e o que nos ajudou em nossas trajetórias. Lembrarmos nossas raízes. Saber nossas origens.

Ou você acha que os primeiros instrumentos já nasceram sensacionais?

Que os inventores do Blues criaram tudo com guitarras Semiacústicas de 20 mil dólares?

Valorize o que você tem e aprenda a tirar o melhor que puder. Com certeza no futuro, qualquer guitarra, qualquer marca que estiver na sua mão, vai ser capaz de expressar tudo aquilo que você está sentindo e quer que o mundo saiba do que se trata também.